A agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) advertiu nesta quinta-feira (14) que analisa a redução da nota da dÃvida dos Estados Unidos, diante da paralisia das negociações para se evitar uma eventual moratória.
"Há uma probabilidade de 50% de baixar a nota dos tÃtulos de longo prazo dos Estados Unidos nos próximos 90 dias", informou a S&P em um comunicado. Os Estados Unidos têm atualmente a nota "AAA", que representa uma dÃvida com as melhores garantias de pagamento.
"Podemos reduzir a nota dos Estados Unidos em um ou mais pontos, dentro da categoria 'AA' nos próximos três meses se concluirmos que o Congresso e a Casa Branca não chegaram a uma solução crÃvel para a dÃvida do governo e que não devem atingir essa solução no futuro próximo", advertiu a agência.
Moodys
Na quarta-feira, a agência classificadora de risco Moody's já havia anunciado que considera baixar a nota da dÃvida dos Estados Unidos, que atualmente se encontra no melhor patamar possÃvel, em "Aaa".
Segundo um comunicado da agência, a Moody's colocou em revisão a nota Aaa atribuÃda à s obrigações do Estado Federal americano para uma eventual redução, tendo em vista a crescente probabilidade de que o limite legal da dÃvida não seja elevado a tempo.
A agência advertiu no dia 2 de junho que tomaria esta medida até meados de julho se não fosse alcançado um acordo entre os congressistas sobre o incremento do tamanho da dÃvida, que ainda não saiu.
Discussões
Mais cedo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, afirmou que o tempo para que o governo e o Congresso cheguem a um acordo sobre a dÃvida do paÃs "está acabando".
"Verificamos todas as opções disponÃveis e não temos como dar ao Congresso mais tempo para resolver esse problema e o tempo está acabando", afirmou ele em discurso após um encontro com congressistas. "Temos que mandar um sinal definitivo de que vamos tomar as medidas necessárias para evitar o default (calote) e aproveitar essa oportunidade para progredir com nossos problemas fiscais de longo prazo".
Os Estados Unidos alcançaram em meados de maio o teto da dÃvida autorizado por lei, num total de US$ 14,3 trilhões. Desde então o Departamento do Tesouro recorre a medidas técnicas para permanecer nesse nÃvel, mas o último prazo antes da interrupção dos pagamentos seria 2 de agosto.
O presidente Barack Obama vem mantendo, nos últimos dias, encontros frequentes com os membros do Congresso, em uma tentativa de elevar o teto da dÃvida antes desse prazo. Mas os adversários republicanos de Obama, maioria na Câmara de Representantes, condicionam o apoio ao aumento do teto da dÃvida à realização de cortes drásticos no orçamento.
Credores
Brasil, China, Japão, Reino Unido e os paÃses exportadores de petróleo estão entre os maiores credores estrangeiros que detêm 32% da dÃvida pública dos Estados Unidos.
Segundo os números do Departamento do Tesouro, a dÃvida pendente dos EUA somava, no último dia 30 de junho, US$ 14,3 trilhões, dos quais US$ 4,6 trilhões eram "pastas intergovernamentais" e US$ 9,7 trilhões eram dÃvidas nas mãos do público.
Os EUA devem somente ao Brasil a quantia de US$ 187 bilhões. O maior credor do paÃs é a China, com US$ 1,1 trilhão, seguida pelo Japão com US$ 882,3 bilhões, o Reino Unido com US$ 272,1 bilhões e os exportadores de petróleo com US$ 211,9 bilhões.
Outros grandes detentores de bônus e tÃtulos da dÃvida americana são os bancos radicados no Caribe, que acumulam tÃtulos no valor de US$ 169 bilhões, Taiwan com US$ 155 bilhões, Rússia com US$ 151 bilhões, Hong Kong com US$ 135 bilhões e SuÃça com US$ 107 bilhões.
Com informações da France Presse e da EFE
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